Cicloviagem Lagos Andinos – Dicas e considerações

Preparação

Preparação física

Diferentemente de uma cicloviagem de longa duração (meses ou anos), onde o preparo físico se adquire na própria viagem, um roteiro com tempo curto e contado requer um certo preparo prévio.

Os meses que antecederam a viagem foram bem atribulados para mim, com muitas viagens profissionais, compromissos e outras coisas que atrapalharam uma rotina de treino regular. Com 30 dias de antecedência comecei a fazer treinos mais longos nos fins de semana, pedalando de 60 a 90 km. Durante a semana, eu fazia pedais mais curtos ou corridas. Isso foi suficiente para a viagem, talvez pela memória do corpo de vários anos de prática de atividades de endurance (esforço médio, longa duração).

De todo modo, recomendo que se faça uma preparação adequada. Começando uns 4 meses antes e aumentando a frequência dos treinos e aumentando também a quilometragem.

Preparação psicológica

Estar preparado psicologicamente para longos dias de pedal, subidas, vento contra, possíveis problemas mecânicos,desconforto físico, chuva, frio, calor e outras dificuldades comuns numa cicloviagem é tão importante quanto a preparação física.

Acredito que as pessoas que se interessam por cicloviagem sabem lidar bem com essas dificuldades, mas é importante testar essa capacidade antes de se meter no meio dos Andes. Fazer pedais longos ou travessias (Cunha-Paraty, Estrada da Petrobrás em Salesópolis, etc) são situações boas para testar a sua capacidade de lidar com o perrengue. E é bem mais fácil abortar a viagem e voltar para casa se isso não for a sua praia.

Quando ir

A melhor época para ir a região de Bariloche é entre outubro e abril. Nos outros meses, a chance de pegar muito frio ou chuva é muito maior. Mesmo assim, é importante saber que o tempo muda muito por lá por estar próximo da cordilheira e por ser mais exposto às massas polares. Já peguei 5º C em janeiro. Um dia pode fazer sol e céu azul e no próximo amanhecer frio e chuvoso.

Vá preparado para essas mudanças de tempo, com roupas adequadas. Vale consultar sites de meteorologia para checar a quantidade de chuva e temperatura média para o período que pretende ir.

Temporada de férias de verão

A temporada de verão começa em dezembro e vai até fins de fevereiro. Os hotéis e estradas estarão mais cheios e os preços serão mais altos. Se puder, tente ir de outubro a novembro ou de março a abril.

Horas de luz solar

Uma coisa muito importante numa viagem de bicicleta é o período de luz natural. Via de regra, quanto mais, melhor. Em novembro o nascer do sol é logo após as 6:00 e o por do sol às 21:00, ou seja, 15 horas de luz!

Este site abaixo mostra o horário de nascer e por do sol em qualquer lugar numa determinada data.

Nascer e por do sol em Bariloche em novembro:

http://www.timeanddate.com/sun/argentina/bariloche?month=11&year=2016

Custos

Direto ao ponto, a nossa viagem custou US$ 520 para cada um. Isto considerando absolutamente tudo, desde que saí do portão da minha casa e voltei. Ou seja, da gasolina de casa ao aeroporto até as cervejas tomadas e qualquer outro gasto. Foram 9 dias inteiros de viagem. Poderíamos até ter gastado menos se tivéssemos ficado em campings (só ficamos em pousadas), feito a própria comida e economizado em pequenas coisas. Além desse custo, tivemos o da passagem aérea (ver abaixo).

Comparativamente, tem uma empresa do interior de São Paulo que organiza uma viagem de cicloturismo na região de Bariloche com uma duração semelhante. O pacote custa US$ 1.800 (sem aéreo), além de outros custos que você certamente terá durante a viagem.

Referência de câmbio

Em novembro de 2016 a referência de câmbio era:

Pesos argentinos:

  • R$ 1 = ~AR$ 5
  • US$ 1 = ~AR$ 15

Pesos chilenos:

  • R$ 1 = ~CHP 200
  • US$ 1 = ~CHP 650

Passagens aéreas

Compramos as passagens aéreas São Paulo/Buenos Aires/Bariloche pela Aerolineas Argentinas. Compramos com 5 meses de antecedência. Saiu US$ 250 mais taxas de embarque.

Eu nunca tinha voado com a Aerolineas. Ela não deixou uma impressão boa: poltronas apertadas, serviço de bordo fraquíssimo e ausência completa de entretenimento de bordo.

Regras de bagagem da Aerolineas:

  • Somente um volume despachado de até 23 kg (a mala-bike, com alforjes, saco de dormir e outras coisas, pesou 19 kg)
  • Uma bagagem de bordo até 5 kg (ninguém verifica se você está com duas ou mais)
  • Cada volume extra despachado custa US$ 120 (fuja como o diabo da cruz!)

Argentina e argentinos

Esqueça todas as besteiras que você já ouviu do Galvão Bueno sobre a rivalidade Brasil-Argentina. Vá com a mente aberta para a Argentina. É um país espetacular em termos de paisagens, provavelmente com mais variações do que o Brasil. Eles só não têm praias tropicais.

Os argentinos normalmente gostam de brasileiros (nos veem como um povo alegre) e, se você também for simpático, verá que temos muitíssimo mais coisas em comum do que imagina. Além do mais, a Argentina tem algumas coisas muito bacanas, como alfajor, a carne (as raças de bois são diferentes dos do Brasil), empanadas, doce de leite, sorvete e outras coisas que descobrirá.

Além de me sentir muito bem recebido na Argentina, em geral me sinto muito seguro. Nessa viagem, em momento algum segurança foi uma preocupação. Não nos sentimos em risco de sermos roubados em lugar algum.

Língua espanhola

Apesar do português e do espanhol serem línguas bem próximas, vale a pena estudar um pouco de espanhol para se virar melhor e conquistar a simpatia dos argentinos e chilenos, mesmo que sejam apenas algumas frases mais comuns. Será um investimento que se pagará rapidamente.

Hospedagem

A infraestrutura de hotéis, pousadas, hostels e campings é muito desenvolvida na Argentina e no Chile. Uma coisa diferente do Brasil é que existem muitas opções de camping em todos os lugares. Os argentinos gostam de acampar. Não é como no Brasil, onde camping é um tipo de hospedagem para quem não tem dinheiro para um hotel. Os campings geralmente ficam em lugares bonitos e espaçosos.

O preço médio que pagamos para um quarto para dois, com banheiro e café da manhã foi de R$ 120. Seria impossível achar lugares parecidos a esse preço no Brasil.

Estradas

As estradas que passamos (coloquei os códigos das estradas nos posts dos dias de viagem) eram muito bem mantidas, sem buracos, e com pouco movimento. Por outro lado, os acostamentos asfaltados, como existem nas rodovias paulistas, não existem por lá. Em alguns lugares do Chile as estradas tinham ciclovias.

Os motoristas eram bem cuidadosos, se afastando das bicicletas. Muitas vezes eles buzinavam para nos incentivar.

Transportando a bike no avião

Empacotar a bike para a viagem é um ponto bem importante, pois chegar com um equipamento danificado é um pesadelo para qualquer cicloturista. Ainda mais se você tiver um tempo contado como nós.

O método que uso é simples e eficiente. Comprei um mala-bike pelo eBay que é feito de uma lona sintética. É um sacolão, mas é leve, barato e fácil de guardar. Existem opções rígidas, que protegem melhor a bike, mas são pesados, caros e volumosos.

Além de desmontar a roda da frente, guidão e pedais, nessa viagem desmontei também a gancheira, deixando o câmbio traseiro solto e salvo de impactos. Na viagem para Cuba, a gancheira da minha bicicleta entortou um pouco, pois o câmbio traseiro fica saliente e absorve os impactos.

É fundamental também proteger os tubos, stays e demais partes com papelão. Isso evita riscos na bicicleta e as partes pontiagudas as peças não furarão (melhor, furarão pouco) a mala-bike.

Murche os pneus para eles não estourarem durante o voo, pois o compartimento de carga do avião não é totalmente pressurizado.

O Antonio Olinto tem um vídeo bem legal sobre como empacotar a bicicleta:

Embalando a magrela

Embalando a magrela

bike-embalada

Bike embalada

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11 pensamentos sobre “Cicloviagem Lagos Andinos – Dicas e considerações

  1. Boa noite Luis…rs…era mais ou menos isso que estávamos pensando!! Obrigada pela dica! Se vc não se importa vou fazer mais perguntas…rss….Pode ser por este canal mesmo?? Normalmente os campings da região possuem alojamento (como se fosse um albergue) ou tem que levar obrigatoriamente uma barraca? Pergunto isso, porque não possuímos uma, aí teríamos que comprá-la. Abs

    • Oi, Ana Paula Vi vários campings com alojamento, mas não sei se é comum todos terem. Levar a barraca dá mais tranquilidade de poder parar em qualquer lugar.

  2. Olá Luis, boa tarde! Obrigada mais uma vez por ter respondido. Além de vc, temos encontrados muitas pessoas bacanas que moram por lá, tanto brasileiros quanto nativos, e informaram que além dos campings que têm bangalôs, próximo a alguns campings também, como exemplo, próximo ao Lago Hermoso, há cabanas que os donos alugam por dias ou temporada, muito provavelmente ficaremos nelas, aí não precisaremos carregar um peso a mais. Obrigada mais um vez e temos visto ótimas dicas neste seu blog, esperamos ver mais aventuras suas por aqui. rss…Excelente final de semana! Ahhh…se eu e meu marido formos mesmo, vou ver se faço um relato e aviso você pra ler também…rs. Abs

  3. Adorei a experiência de vcs, eu e meu esposo somos amantes de cicloviagem , já fizemos o Valle Europeu em jan/ 2016 e Argentina ( Buenos Aires) , atravessando para o Uruguai e fazendo toda Costa litorânea até Chy em Nov/2016.
    Estamos com quase tudo pronto para fazer o roteiro que vcs fizeram , agradeço muito por postar os relatos, estou apenas com uma dificuldade gostaria de pedalar no máximo 60 km por dia já que disponho de 15 dias livres, existe lugares ou pequenos vilarejos , principalmente no primeiro dia de pedal que é mais que 100 km para dormir, não gostaria de acampar selvagem , por sermos apenas os dois tenho um pouco de medo.
    Obrigado

    • Oi, Aneliza. Vocês vão gostar muito da região! Entre Bariloche e Villa Traful, no primeiro dia, existe a opção de dormir num lugar chamado Rincón de Creide (com R mesmo). Além de lá, se vocês estiverem com barraca, dá para dormir no posto de gasolina da Confluência. Normalmente é só pedir para acampar. Acredito que existam outros lugares, normalmente campings. Achei numa pesquisa rápida um lugar chamado Camping Don Jacinto (http://campingdonjacinto.blogspot.com.br/). Devem existir outros. Boa viagem!

      • Boa tarde Luís, agradeço muito pelas dicas , e já deixei tudo anotado para nossa parada no primeiro dia, dividindo o percurso em duas partes. No relato de vcs pude perceber também que o terceiro dia também praticamente foi uma km equivalente ao primeiro dia, vc poderia dar ficar de vilarejos pequenos que poderíamos ficar , para pedalar um pouco menos??
        Pela experiência de todos os dias pedaladas , existem lugares de hospedagem durante o percurso , podendo dessa forma aumentar os dias de pedal ??
        Agradeço muito pela ajuda.

      • Oi, Aneliza. O trecho entre Angostura e Entre Lagos, que você se refere, não tem opções de hospedagem pelo caminho. Vocês teriam que levar barraca e acampar em algum ponto do caminho. Existem muitas opções de camping selvagem. Conseguir água não será um problema. O trecho de Entre Lagos a Ensenada também é longo, 80 km. Teria uma opção de você parar em Las Cascadas, uns 20 km antes de Ensenada.

      • Boa tarde Luis, pela experiência dessa cicloviagem , vcs consideram um pedal seguro , em se falando de segurança ??
        Estávamos prontos para irmos em um grupo de 4 pessoas e por alguns contra tempos , iremos apenas eu e meu esposo.
        Agradeço desde já pela oportunidade em poder ouvir um pouco sobre a história de vcs.

      • Oi, Aneliza. Vou falar de minha experiência. Achei super seguro. Em momento nenhum tive a sensação de risco. Nem vi áreas equivalentes a favelas onde poderia me sentir ameaçado. Boa viagem para vocês!

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