Cicloviagem Lagos Andinos – Dia 3 – Villa la Angostura a Entre Lagos

Quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Chegara o dia de cruzar os Andes e também fazer a nossa primeira fronteira internacional no lombo de uma bicicleta. Além disso, um distância hercúlea de 115 km pela frente nos dava alguma preocupação, até porque não havia pontos intermediários de parada no roteiro. A primeira cidade no Chile era Entre Lagos. Antes disso, algumas casas e, talvez, povoados.

O tempo continuou perfeito, com céu azul e temperatura amena. Tomamos um café reforçado, fizemos vários lanches, enchemos várias garrafas de água e fomos começar a jornada. Não haveria um único mercado ou restaurante no meio do caminho.

Dia 3 - Villa la Angostura (Arg) a Entre Lagos (Chi)

Dia 3 – Villa la Angostura (Arg) a Entre Lagos (Chi)

Roteiro do dia: www.bikemap.net/en/route/3389477-lagos-andinos-dia-3/

Seriam 12 km de Angostura até o trevo para a estrada que seguiria ao Chile, voltando pela Ruta 40, pelo mesmo caminho em que viemos de Villa Traful no dia anterior. E do trevo até o Paso Cardenal Samoré seriam mais 32 km pela Ruta 231.

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No cruzamento das Rutas 40 e 231

Logo após o trevo, tem um mirante para o Lago Espejo (espelho, em espanhol). O mirante está bem alto em relação ao lago e dá para entender a razão do nome do lago. Para deixar o cenário ainda melhor, dois caiaques cruzavam as águas praticamente paradas da manhã.

Lago Espejo Grande, Villa la Angostura

Lago Espejo Grande, Villa la Angostura

Lago Espejo Grande, Villa la Angostura

Caiaques flutuando no céu, Lago Espejo Grande

Começou uma longa descida. O que poderia ser um motivo de alegria (descida), gerou o pensamento que deveríamos subir aquilo que descíamos e mais o que deveríamos subir até o passo.

A floresta em torno da estrada era densa, com grandes árvores e com muito verde. Mais adiante foram surgindo os primeiros picos rochosos e nevados. Já era uma paisagem bem diferente das dos dias anteriores. Apesar de nunca termos ido ao Alasca, concluímos unanimemente que aquilo parecia o Alasca no verão.

Chegamos ao controle de aduana argentino, que fica vários quilômetros antes do Paso Samoré, numa região mais baixa e menos fria. A burocracia foi rápida e sem problemas. Perguntei ao policial sobre o número de ciclistas a que passavam diariamente: 20 durante o verão e 4 nas outras épocas do ano.

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Posto de aduana argentino, Ruta 231

Mais um pouco de pedal e estávamos no esperado Paso Samoré. Um belo visual e alguns turistas tirando fotos. Aproveitamos para pedir para alguém tirar uma fotos de nós dois, chance rara quando se viaja por lugares remotos.

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Paso Cadernal Samore, fronteira entre Argentina e Chile

Depois do passo é uma longa descida, pois estávamos a 1.300 m e chegaríamos a 200 m de altitude em Entre Lagos. Cheguei a pegar 70 km/h. Mas isso não quer dizer que é só descida, a estrada passa por muitos vales e muitos sobe-e-desce, alguns bem cansativos.

O trâmite na aduana chilena também foi rápido e tranquilo. A recomendação é que você peça para anotarem no papel de entrada que você entrou no país com uma bicicleta. Pediram isso na saída do Chile.

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Chile, Ruta 215

Uma coisa que chama a atenção é que as árvores estão mortas em boa parte da floresta chilena. A causa da morte das árvores foi a erupção do Vulcão Puyehue, em 2011. Ainda dá para se ver a camada de cinza vulcânica no solo. Até na região de Traful ainda dava para perceber a camada cinzenta. Essa região que passamos sofreu ainda mais, pois está a poucos quilômetros do vulcão, coisa de 8 km.

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Floresta morta pelas cinzas do Vulcão Puyehue, Ruta 215, Chile

A ruta 215 vai acompanhando o curso do Rio Gol Gol. Estes nomes com repetição de palavras são comuns na língua mapudungun, dos mapuches. Aqui tem uma página com várias palavras mapudungun com repetição. A medida que entrávamos no Chile e a altitude baixava, a vegetação mudava radicalmente. Já parecia quase a mata atlântica no Brasil, com muito verde, variedade de espécies e morros baixos cobertos de vegetação.

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Cachoeira no Rio Gol Gol, Rua 215

A paisagem era bonita, mas não era espetacular como as que passamos pela Argentina. Um pouco mais além temos a primeira vista dos vulcões Osorno e Pontiagudo. O Osorno nos vigiaria pelos próximos dois dias.

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Vulcão Osorno

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Vulcão Pontiagudo

O dia já ia longo, eram 18:00 e pedalávamos forte para chegar. Agora o terreno era plano, o que facilitava o pedal. Chegamos em Entre Lagos as 19:15 com uma sensação de dever cumprido e que seríamos capazes de pedalar qualquer outra etapa dessa viagem, viesse o que viesse.

A cidade de Entre Lagos é pequena, com uma aparência precária, com casas de madeira. Mesmo assim, ela tem uma boa oferta de hospedagem. Achamos uma cabana logo na entrada, que era razoável. Não tínhamos pesos chilenos, mas conseguimos pagar em pesos argentinos. Mas fica a dica, vale trocar alguns dólares por pesos chilenos em Villa la Angostura, na Argentina.

Um vez com teto, era a rotina tradicional de uma cicloviagem: tomar um banho, lavar as roupas do pedal, sair para comer e passar no mercado para comprar comida para o dia seguinte. Aproveitamos para jantar um baita filé de salmão e tomar umas cervejas chilenas. Depois fomos dar uma volta nas margens do Lago Puyehue, que banha a cidade.

Dados do pedal

  • Distância pedalada: 113 km
  • Média: 16 km/h
  • Ascensão: 1.700 m

Hospedagem em Entre Lagos

Ficamos na Cabana Gladys, que basicamente é uma casa com dois quartos, cozinha e banheiro. Tem wifi mas não café da manhã. O preço era CH$ 25.000 mas pagamos AR$ 590. Valeu ficar lá. Ela fica numa rua paralela à Ruta 215, no lado direito, logo na entrada da cidade, vindo da Argentina.

Outras opções:

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2 pensamentos sobre “Cicloviagem Lagos Andinos – Dia 3 – Villa la Angostura a Entre Lagos

    • Paulo, obrigado pela visita. A penúltima foto é do Vulcão Osorno mesmo. Passei bem perto do Puyehue, mas não tive bons ângulos para uma foto. Abração.

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