Cicloviagem Lagos Andinos – Dia 2 – Villa Traful a Villa la Angostura

Terça-feira, 22 de novembro de 2016

Para variar um pouco, o dia amanheceu com céu azul e sem nuvens.

Esse seria o dia mais curto da viagem e esperávamos chegar em Villa la Angostura para o almoço. Seriam aproximadamente 60 km, metade rípio, metade asfalto. A parte de rípio seria na continuação da incrível Ruta 65 e ela ainda nos reservava um passo de montanha com pouco menos de 1.000 metros de altitude.

Roteiro do dia: http://www.bikemap.net/en/route/3389475-lagos-andinos-dia-2/

lagos-andinos-roteiro-dia-2

Dia 2 – Villa Traful a Villa la Angostura

Saindo do vilarejo, somos de cara brindados com a paisagem abaixo. É muito fácil achar essa região fantástica para se pedalar, né?

img_20161122_084301494

Seguimos o pedal, subindo e descendo vales, no meio de bosques e cruzando pontes. Era muito difícil não se impressionar com a beleza que estava por todos os lados.img_20161122_091757867

Numa das subidas, que estávamos pedalando na vovózinha, vagarosamente, vem um carro buzinando insistentemente atrás de nós. Diminuo a velocidade para ver o que é. Quando o carro passa, é o Sr. Suksdorf com sua mulher, acenando festivamente para nós.

Mais um tempo na fantástica Ruta 65 e chegamos num ponto onde a estrada estava alagada por um arroio. Não dava para saber a profundidade da água. Descemos da bike para avaliar os possíveis caminhos. Logo passa um carro e o motorista nos diz que temos que passar pelo meio, que não está fundo. Realmente, parece ter uns 30 cm de profundidade.

img_20161122_105037597

Enquanto isso, chega um Duster do outro lado do alagamento e descem umas brasileiras meio preocupadas com a estrada. O Ricardo grita em espanhol: “No pueden pasar. Solo los argentinos pueden pasar. Los brasileños, no!”. Rola um silêncio meio tenso. Só que o Ricardo estava com uma camisa de ciclismo do Brasil e eles acabaram percebendo. Demos boas risadas.

Passamos a eles a dica que o motorista anterior nos dera. Eles passam do nosso lado e começam a bater papo. Todos muito simpáticos, um paulista e 4 cariocas que moram em São Paulo. O motorista era o Marcelo. Eles ficaram muito curiosos pela nossa viagem de bike, dizendo que aquilo é que era aventura e esse tipo de coisa que as pessoas falam quando encontram cicloturistas. Muito legal!

Pedimos para eles filmarem e fotografarem a nossa passagem. O vídeo está aí em baixo. Trocamos algumas dicas sobre a estrada e seguimos em frente.

Outro tanto de pedal e chegamos num camping agreste na beira do lago Traful. O lugar era muito bonito e ficamos curiosos para saber o que era um camping agreste. Entramos com as bikes e conversamos com um senhor da cidade de Neuquén (capital da província de mesmo nome). Ele estava num trailer e ficaria ali pescando por 30 dias.

img_20161122_093559262

Vista do camping na Ruta 65

O local era basicamente frequentado por pescadores. Muitos vinham de Córdoba ou Buenos Aires, que estão a mais de 1.000 km dali para passar o mês inteiro pescando no lago e nos riachos que desembocam nele. Confesso que deu uma inveja deles que passariam um mês num lugar daquele. Quem sabe, quando estiver velho para pedalar, viro pescador e volto para lá.

img_20161122_103926398

Uma das muitas pontes da Ruta 65, no Arroyo Pedregoso

Chegamos no fim do lago Traful e a estrada começava a subir continuamente até chegar ao passo Portezuelo (930 msnm). Dele até o asfalto é uma longa e acentuada descida.

Quando chegamos no asfalto, a sensação era de que se a cicloviagem acabasse ali, já teria valido a pena, de tão bonito que foram os lugares que passamos nesses dois dias de pedal. Mas a viagem guardava muito mais coisa boa para nós. Bora pedalar!

Voltamos à legendária Ruta 40, agora rumo ao sul, para Villa la Angostura. Paramos num mirante do Lago Correntoso, onde encontramos dois cicloturistas argentinos (cada um por si). Eram os primeiros cicloturistas que encontrávamos e foi bacana conversar com eles. Ambos viajariam por 30 dias pela região. Um deles nos alertou que teria uma longa e íngreme subida depois do Rio Ruca Malen, que teríamos que subir empurrando. A ver.

IMG_20161122_114804013.jpg

Mirante no Lago Correntoso

O asfalto novo tirava parte da sensação de aventura, mesmo assim era uma sensação muito boa pedalar por lá. Este trecho da Ruta 40 foi asfaltado em 2014. Antes era puro rípio, com aliás é a grande maioria dos 5.000 km da Ruta 40.

img_20161122_131649970

Ricardo na Ruta 40

Chegamos ao Rio Ruca Malen. O lugar é conhecido pela ruína da antiga ponte de madeira. O rio liga os lagos Espejo e Correntoso. Demos uma parada para apreciar a paisagem e comer algo, pois depois da ponte começava a subida que o argentino nos alertou. Do alto da ponte dava para ver os salmões de água doce nadando pelo rio, de tão transparente que era a água.

img_20161122_121055329

Rio Ruca Malen, Ruta 40

A tal da subida era forte mesmo. Coloquei a marcha mais leve e o ciclocomputador marcava uma velocidade entre 4 e 5 km/h. Mas não descemos para empurrar!

Mais alguns tantos de paisagens bonitas e chegamos ao trevo que no dia seguinte pegaríamos a estrada ao Chile, rumo ao Paso Cardenal Samore.

img_20161122_125310804_hdr

Prainha a beira da Ruta 40

Alguns quilômetros mais e chegamos ao braço norte do lago Nahuel Huapi. Paramos num mirante e um italiano veio conversar conosco, num espanhol impecável. Ele também era ciclista e queria saber de nossa viagem. A cada dois anos ele vem com a família viajar pela América do Sul. O triste é que ele nunca foi ao Brasil. Infelizmente isso é bem comum. Comparado com a Argentina, o Brasil tem uma infraestrutura turística pior, é mais inseguro e é mais caro (pelo menos nos últimos 10 anos). Eu mesmo me sinto mais seguro viajando na Argentina do que no Brasil.

img_20161122_134334735

Lago Nahuel Huapi, ao norte de Villa la Angostura

A fome estava apertando, pois somente estávamos com amendoins, já que o planejado era almoçar em Angostura. Seguimos direto ao Hostel Don Pilon, que eu já havia reservado do Brasil.

Depois de um banho e um pouco de descanso, resolvemos fazer um asado na parrilla do hostel. Afinal, estávamos na Argentina, famosa pelas carnes.

Fomos no mercado e compramos uma bela peça de colita de cuadril, um corte próximo ao da maminha. Cerveja, pão, verdura, salame e carvão. O churrasco estava garantido. Desnecessário dizer que ficou bom para cacete, pois com a carne argentina e o tempero da fome, não tinha como dar errado.

Bem alimentados, era descansar para o dia seguinte, o mais desafiador da viagem. Seriam aproximadamente 115 km cruzando os Andes para chegar a Entre Lagos, no Chile.

Dados do pedal

  • Distância pedalada: 59 km
  • Média: 13,4 km/h
  • Ascensão: 1.200 m

Hospedagem em Villa la Angostura

Ficamos no Hostel Don Pilon (www.hosteldonpilon.com), mas não achei nada de mais. Não ficaria ali novamente se voltasse a Angostura. O quarto duplo com banheiro e café da manhã (fraco) saiu por AR$ 900.

Outras opções:

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s