Estrada Real/Caminho dos Diamantes: Dicas e Considerações

Dicas e considerações sobre o Caminho dos Diamantes

Quando ir

A melhor época é fora do verão, para evitar as chuvas e o calor. Acho que a melhor época deve ser entre abril e junho, quando a poeira ainda não está tão grande. Fomos na primeira semana de julho e a poeira não estava assim tão incômoda quanto a que vi em outros relatos.

O frio em julho não foi nada de mais, bem agradável até. Tivemos que vestir um corta-vento em poucos trechos da viagem. Mas claro que uma frente fria pode mudar bastante isto. 🙂

Quantos dias

Nós fizemos o Caminho dos Diamantes em 6 dias de pedal. Para mim é o mínimo factível. E mesmo assim não será possível sair do roteiro para visitar lugares próximos (ver abaixo, Pontos altos que perdi).

Acho que o tempo ideal é em torno de 10 dias. Com isto dá para ficar um dia a mais em vários lugares ou ir num ritmo menor.

De todo modo, se você só tem uma semana, mesmo assim, em 6 ou 7 dias, será uma grande viagem.

Quanto pedalar por dia

Numa rota como a Estrada Real, com caminhos de terra e muitas subidas, eu recomendaria algo entre 40 e 70 km diários, dependendo de quão preparado se está ou de quantas paradas fará.

Algumas coisas a se considerar sobre a distância percorrida:

  • Obviamente cicloturismo não é competição. Quase sempre, menos (KMs) é mais (prazer).
  • Se você gosta de parar para tirar fotos, conversar, comer ou simplesmente contemplar a paisagem, não dá para pedalar muito mais do que uns 60 km sem correr o risco de se pedalar no escuro.
  • Considere os imprevistos. Pneus furados ou problemas mecânicos podem reduzir o tempo útil e diminuir a quilometragem coberta. Problemas de saúde também podem atrapalhar o desempenho.

Preparação física e psicológica

O Caminho dos Diamantes não é um passeio. Esteja muito bem preparado para fazê-lo. Existem muitas subidas longas e exigentes, descidas que necessitam de boa técnica e longos trechos entre uma cidade e outra (entre 60 e 70 km no nosso caso).

Um treino de três vezes por semana durante alguns meses antes da viagem ajudará a ganhar a forma. Vale procurar informações com especialistas em treinamento ou em sites específicos.

A preparação psicológica também é importante. É preciso estar determinado para se fazer uma cicloviagem, pois o dia-a-dia é bem estoico, com muito esforço, pouco conforto, bunda doendo de tanto ficar no selim, pousadas espartanas, alimentação em lugares simples, frio, calor, sede, etc, etc. Se você não estiver bem a fim, é muito fácil pensar “que diabos estou fazendo aqui?” e desistir no meio da viagem. Se estiver com pouco preparo físico, tudo isto ficará muito pior.

Alimentação e suplementação

Esta dica virou um post: Alimentação e suplementação em viagens de cicloturismo.

Sites e blogs sobre o Caminho dos Diamantes

Consultei vários sites e blogs para conhecer e planejar a viagem. Basicamente dá para conseguir as informações necessárias com os sites e relatos abaixo. Além destes, tem vários outros. O Google é seu amigo!

Guia de (ciclo)viagem

Sou bem fã de guias de viagem em geral. Acho que ajudam muito a organizar as ideias antes e também para fazer as coisas durante a viagem. É realmente possível fazer o Caminho dos Diamantes sem um, mas ter um bom guia ajuda bastante. Nós levamos o guia Estrada Real – Caminho dos Diamantes, do Antonio Olinto, e valeu bastante tê-lo durante a viagem.

Guia Caminho dos Diamantes, Antonio Olinto

Tem um outro guia, do Marconi Leão, que comprei e sinceramente não vale a pena, de tão básicas que são as informações. Pelos blogs e sites que passei acima você pode conseguir mais e melhores informações do que as existentes no guia do Marconi.

Custos de viagem

Como toda viagem de cicloturismo, é um passeio barato. As pousadas ficaram entre R$ 40 e R$ 60, em média, por pessoa. A alimentação variou de R$ 10 a R$ 17 por um PF ou mesmo por um bufê a vontade. Além disto, gastamos com pequenas coisas, como salgados, doces, bebidas, mas nada que fizesse muita diferença no orçamento.

Além de alimentação e hospedagem, outro custo importante foi o transporte. Usei somente ônibus. De Campinas a São Paulo ficou em R$ 26 e de lá a Diamantina ficou em R$ 134. Tive que pagar uma maldita taxa de embarque para a bike na empresa Gontijo (R$ 26). De Ouro Preto a São Paulo a passagem custa em torno de R$ 100. Horários e preços de ônibus podem ser consultados aqui: www.buscaonibus.com.br.

Pontos altos

Foram muitos os pontos altos da viagem: as paisagens, a enorme simpatia e hospitalidade do povo mineiro e as cidades coloniais. As cidades que mais gostei e que voltaria foram Diamantina, São Gonçalo do Rio das Pedras, Catas Altas e naturalmente Ouro Preto. Os trechos da Estrada Real entre Diamantina e São Gonçalo, Morro do Pilar e Itambé, Santa Bárbara e Catas Altas foram muito bonitos. Várias outras coisas foram bacanas, mas estas foram as mais memoráveis.

Pontos altos que perdi (e quero voltar)

Parque Estadual de Biribiri, Cachoeira do Tabuleiro, Cabeça de Boi (Itambé), Parque Nacional da Serra do Cipó, Serra dos Alves (perto de Ipoema), Mosteiro do Caraça e Mina da Passagem (Marina/Ouro Preto). Quero voltar de carro, com a família e com mais tempo para conhecer estes lugares.

Pontos baixos

Conceição do Mato Dentro é a campeã. Feia, suja, cara e com um movimento infernal de caminhões e caminhonetes.

A empresa Gontijo, com a linha de São Paulo a Diamantina, também merece estar aqui, seja pelo ônibus velho e ruim, seja pela cobrança de taxa para levar a bicicleta.

Os pontos altos ganharam dos baixos por goleada.

Asfaltamento da Estrada Real

Entendo que para os moradores o asfaltamento da Estrada Real seja um grande benefício. Por outro lado, o espírito dela, como antiga estrada colonial, se perde completamente. Vira mais uma estrada qualquer como tantas outras.

Acho até que o interesse pelo Caminho dos Diamantes fica bem diminuído se asfaltarem tudo. A diferença de sensação de aventura e história que sentíamos entre um trecho de terra e outro asfaltado era enorme. Quando a estrada era de terra, tudo ficava melhor.

Talvez seja possível fazer caminhos alternativos por terra para o cicloturistas e caminhantes, fugindo do asfalto. O Caminho da Fé fez algo assim e o resultado é muito bom.

Organização

O site do Instituto Estrada Real é muito bom. E os marcos são úteis para navegar pelas estradas. Mesmo assim algumas coisas poderiam ser melhoradas. Os escritórios de informações turísticas, quando existem, não ajudaram muito. Em Ouro Preto foi difícil conseguir um simples adesivo da Estrada Real. Camiseta ou artigo específico sobre cicloturismo na Estrada Real é pedir demais. Não existe.

Um sugestão seria criarem uma carteira (como do Cominho da Fé) que desse descontos aos viajantes. Ao menos para os ciclistas e caminhantes.

Valorização da Estrada Real

A Estrada Real é algo muito valioso para ser mal tratado. E se não cuidar, se perde. Na minha opinião é um roteiro que deveria receber gente do mundo inteiro para fazer. Os americanos conseguem pegar uma estrada sem graça como a Rota 66 (já viajei por ela) e tornar uma marca mundial. A Estrada Real deveria ser uma marca mundial também. História, natureza e hospitalidade do povo é o que não falta.

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7 pensamentos sobre “Estrada Real/Caminho dos Diamantes: Dicas e Considerações

  1. Luis, muito bacana seu blog, está de parabéns. Moro em BH e conheço bem a região que vocês passaram.
    Me chamou atenção o seu comentário sobre Conceição do Mato Dentro. Pense que lá já foi considerada a capital mineira do ecoturismo… O que estão fazendo na região é um crime, resultado da ganância e pilantragem do Eike Batista e de quem administra a cidade. Uma pena.
    Não sou cicloturista, ainda, pois acabei de montar minha bicicleta e hoje comprei meu primeiro acessório para viagem, um bagageiro 🙂 . Sou praticante de caminhadas de longa duração, quando tiver um tempinho dê uma passada no meu blog. Abraços!

    • Oi, Max. Não sabia desta informação sobre CMD ter sido a capital de ecoturismo de MG. É uma pena realmente.
      Aproveitando, muito bacana o seu blog. As fotos são lindas. Parabéns.

  2. Parabéns Luis pela descrição da aventura de vocês, demais! Tô indo fazer esse roteiro, de bike, partindo de Jundiaí dia 08/07. Agradeço-lhe pelas dicas e desejo boas pedaladas pra vocês. Se, um dia qualquer, quiserem pedalar na Serra do Japi, aqui em Jundiaí, é só falar.
    Grande abraço!
    Osmar

  3. Parabéns Luis muito bom este blog e está é a intenção ajudar o próximo e assim por diante. ainda não fiz a estrada real mas de Deus quiser vamos agora em dezembro fazer o caminho dos diamantes e o caminho velho juntos, Também vamos entrar neste esquema de muito chão e pouco tempo, mas estamos acostumados e pela nossa média de pedal diário acreditamos que dará tempo de fazer os dois caminhos em duas semanas, tiro pelo caminho da fé onde já percorri quatro vezes o caminho completo de São Carlos a Aparecida e o fazemos em sete dias. e agora a estrada real será um desafio imenso em concluir os mais de 1100 km em 14 dias contando com viagem e tudo, mas com dicas iguais a sua claro que ajuda muito e para ajudar mais ainda vamos em dezembro onde as chuvas talvez nos acompanhe por longos caminhos. Obrigado e fique com Deus

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