Dia 6, Catas Altas a Ouro Preto: Caminho dos Diamantes

Sexta-feira, 06/07/2013

Era o último dia da viagem. Acordamos cedo para sair as 7:15 da pousada e chegar em Mariana a tempo de pegar o trem da Vale para Ouro Preto. Pelas informações que eu tinha levantado previamente, o trem sairia as 14:00.  Descobrimos depois que a saída era as 13:00.

Seriam quase 55 km até Mariana. Decidimos não pedalar o trecho entre Mariana e Ouro Preto. Tínhamos algumas razões para isto: colocaríamos um trecho de trem na viagem (algo sempre nostálgico), o caminho entre as duas cidades é sem graça (asfalto, carros e subida) e já estávamos cansados de tanto pedalar.  Por mais que se goste de fazer algo, depois de 6 dias ininterruptos fazendo a mesma coisa, começa a cansar. Se a viagem fosse mais longa, eu poria uns dias de descanso a cada 5 dias.

Passamos pela praça da matriz de Catas Altas e o cenário da cidade é realmente bonito. Uma ampla praça com casario colonial e a igreja no centro. De frente para a igreja, na linha do horizonte, está o maciço do Caraça. A luz dourada da manhã deixou o cenário ainda mais bonito.

Catas Altas com Serra do Caraça ao fundo.

Catas Altas com Serra do Caraça ao fundo.

Como queríamos chegar as 14:00 em Mariana, saímos cedo e fomos num ritmo forte. O Brian já estava bem cansado, desde o dia anterior o desempenho dele vinha caindo, talvez com alguma virose. O Ricardo parecia mais forte a cada dia e eu estava mantendo o ritmo.

O roteiro do dia passaria por várias cidadezinhas. A primeira delas foi Morro da Água Quente, que fica bem perto de Catas Altas e depois de passarmos um lago artificial.

Rumo a Morra d'Água Quente

Rumo a Morro da Água Quente

Parece que Morro da Água Quente é interessante também, mas passamos rápido e só paramos para pedir informações sobre a direção da Estrada Real. Depois de Morro, o caminho seguia por uma rodovia em obras por vários quilômetros. Depois de subir bastante, no alto, pegamos uma saída a esquerda e caímos de volta numa boa e velha estrada de terra.

Santa Rita Durão, Igreja de Santa Rita

Santa Rita Durão, Igreja de Santa Rita

Passamos por Santa Rita Durão, Bento Rodrigues e Camargos, típicas cidadezinhas mineiras com suas bonitas igrejas, casas simples e ruas de pedra. Entre os vilarejos, a estrada era bonita, com subidas e descidas de diversos graus e uma paisagem interessante. Paramos em alguns lugares para comer e pegar água, mas o ritmo foi quase de competição. A média foi a maior da viagem, mais de 15 km/h.

A igreja de Camargos, no alto de uma colina e com um cruzeiro na frente, é um dos pontos bonitos do trecho.

Camargos

Camargos

Mariana fica no fundo de um vale e nós vínhamos pelo alto da montanha. Para se chegar até lá, a estrada despenca 300 m de altitude em 3 km. O downhill é o prêmio para finalizar o Caminho dos Diamantes.

Chegando em Mariana a primeira sensação que tive foi que a cidade cresceu muito. Estive lá 15 anos antes e tinha a sensação que era uma vila congelada no tempo. Parece que a cidade moderna (e feia) fagocitou o centro histórico. Uma frase que li em Ouro Preto, sobre o crescimento desordenado das cidades históricas, exprime bem o que aconteceu em Mariana: O ciclo do ouro nos deixou o barroco. O ciclo atual da mineração nos deixará o barraco.

Fomos direto para a estação de trem comprar os bilhetes. Descobrimos que o trem sairia as 13:00, por sorte tínhamos vindo bem rápido e ainda nem era meio-dia. Com as passagens compradas, fomos dar uma volta no centro histórico e almoçar.

Acho o centro colonial de Mariana muito bonito, a praça do pelourinho, com as duas igrejas, é bem imponente.

Pelourinho e igreja em Mariana

Pelourinho e igreja em Mariana

Era hora de pegar o trem e partir para Ouro Preto. A estação é bem organizada, o pessoal já sabe orientar quem está de bike e, pelo menos quando fomos, estava bem vazio.

Trem para Ouro Preto

Trem para Ouro Preto

Fomos tomando uma cerveja para comemorar a realização da cicloviagem e para relaxar os músculos e a mente, depois de 6 dias de muito esforço.

Bicicletas no trem e brinde merecido.

Bicicletas no trem e brinde merecido.

Chegando em Ouro Preto temos a sensação que estamos numa metrópole, depois de tantos dias em cidadezinhas. A cidade estava cheia, pois além de ser temporada turística, começaria o Festival de Inverno, com vários shows e atividades.

Deu bastante trabalho achar um lugar bom, bem localizado e relativamente barato para ficar. Além de estarmos cansados e já frios depois da viagem de trem, as ruas de Ouro Preto são de pé-de-moleque, praticamente impossíveis de se pedalar. Além disso, a cidade é só ladeira. Tem uma frase famosa em Ouro Preto que diz “se você não está subindo ou descendo é porque está parado”.

Ficamos no Hostel Brumas e fechamos um quarto só para nós três. Como teríamos duas noites em Ouro Preto e o hostel estava lotado para o dia seguinte, tivemos que procurar outro lugar. Conseguimos uma reserva na pousada da Líria Toffolo, ao lado do hostel, que na verdade é uma grande casa colonial, que ela (Líria) aluga os quartos. É uma boa opção para ficar em Ouro Preto.

Casario de Ouro Preto

Casario de Ouro Preto

Instalados e de banho tomado, fomos perambular pela cidade e comemorar mais um pouco o feito. Era uma sexta-feira, céu azul, começo de férias e com o Festival de Inverno acontecendo em Ouro Preto. Ou seja, um ótimo lugar para uma comemoração, para relembrar as histórias da viagem e já planejar a próxima.

Agora era ir para Tiradentes, onde encontraria minha mulher e meus filhos, descansando um pouco e aproveitando o feriadão paulista de 9 de julho. Mas a viagem até lá seria de ônibus. 🙂

Informações úteis:

Trem da Vale:

Hospedagem em Ouro Preto:

  • Pousada Líria Toffolo, R$ 60 por pessoa.
  • F: 31 3551-2088
  • Rua Costa Senna, 151 (fica atrás do Museu da Inconfidência, pelo lado esquerdo)
  • Outra opção é o Brumas Hostel, também atrás do Museu.

Resumo do dia:

  • Distância: 54.7 km
  • Média: 15.2 km/h
Anúncios

4 pensamentos sobre “Dia 6, Catas Altas a Ouro Preto: Caminho dos Diamantes

  1. Muito bom! Belo pedal! Estou contando os dias pra fazer essa viagem, só que no sentido contrário. Pretendo sair de São João Del Rei e seguir para Diamantina, em agosto 2014. Em novembro/dezembro 2013, fiz Santos SP/Tiradentes. Iria até Ouro Preto mais a chuva não deixou eu terminar a aventura. Quando cheguei a São João a cidade estava em estado de calamidade pública. Agora quero fazer esse trecho de Tiradentes/Ouro Preto, que fiquei devendo, pra mim mesmo, e depois seguir pra Diamantina. Fiz a aventura anterior seguindo o guia do Olinto do caminho velho, deu tudo certinho, e essa próxima vou com o guia dele novamente, mais é muito bom ver dicas de pessoas que passaram pelos lugares, como vcs, ajuda bastante. Valeu por dividir as experiências. Parabéns pelo feito. Abço.

    Ricardo.

  2. Parabéns pelo belo Pedal…como disse em outro comentário,o blog é muito bom,dizendo somente o necessário,sem meias palavras e não fica enchendo linguiça…muito bem explicado e de fácil entendimento. Espero poder fazer este percurso o mais breve.

  3. Olá Luis
    Primeiramente parabéns pelo belo relato. Muito útil para quem pretente fazer o roteiro, como eu. Estou pensando em ir em julho e por enquanto estou sózinho. Viram algo que além da solidão me demotivaria ir só? Como tenho de 2 a 3 semanas e não curto muito o trajeto paulistano/carioca da Estrada, pensei em começar em Diamantina e parar na altura de Passa Quatro. Também vou fazer de full suspension com um alforge específico para não pesar na suspenção. Viram alguém com full?
    Bem, mais uma vez parabéns grato pelas dicas.
    Tendo um tempo, visite meu blob, tenho muita coisa legal por lá também.

    • Tudo bem, Adilson? Incentivo a você fazer o Caminho dos Diamantes. Dá para fazer sozinho e de full, desde que você esteja acostumado a ficar por longos períodos só, pois encontrará poucos cicloturistas pelo caminho. Nós não encontramos nenhum.
      Também tenho a mesma impressão sobre o trecho paulista/carioca. É o que me interessa menos.
      Com 2/3 semanas você poderá fazer paradas, fazendo trilhas e conhecendo melhor os lugares. Leve sua câmera que as possibilidades de fotos são ótimas. Só cuidado com a poeira, pois esta época é muito seca.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s