Dia 5, Cocais a Catas Altas: Caminho dos Diamantes

Quinta-feira, 05/07/2013

Depois da tensão de estarmos perdidos no meio da noite e do cansaço de mais de 80 km de pedal no dia anterior, resolvemos deixar o despertador para as 8:00.

O café da manhã da Pousada das Cores é digna de nota também, muita variedade de pratos gostosos. Foi o melhor da viagem.

Fomos sair da pousada somente as 10:00 e, para a minha tristeza, a corrente da minha bike quebrou novamente, na rua em frente a pousada, no plano. Não dava para reduzir mais a corrente, o que eu já havia feito no primeiro dia da viagem. Por sorte tínhamos um power link (elo de corrente), que foi a salvação. #ficaadica 🙂

Corrente consertada, era hora de encarar os vários quilômetros morro acima rumo a Barão dos Cocais. Literalmente tem um morro no meio do caminho.  É uma subida forte, com trechos com calçamento de pedra que parecem ser da época colonial.

No meio da subida tem uma parada interessante, o sítio arqueológico da Pedra Pintada. São pinturas rupestres com idade estimada de 6.000 anos, feitos em paredões de rocha. As pinturas ficam numa propriedade particular e custa R$ 5 para entrar. Vale o ingresso. Além das pinturas rupestres representando várias situações dos povos que viviam na região, a vista do vale é bastante bonita.

Pedra Pintada

Pedra Pintada

Pedra Pintada

Pedra Pintada

Depois de finalizar a escalada do morro, tem uns 5 km de descida alucinante até chegar em Barão dos Cocais. Um pouco antes da cidade passa-se sob um viaduto ferroviário. Quando cruzávamos o viaduto, passava um longo comboio de vagões carregados de minério. Dá uma sensação que as montanhas de Minas estão indo para a China.

Chegando em Barão de Cocais

Chegando em Barão de Cocais

Barão de Cocais é uma cidade maior e com uma siderúrgica da Gerdau dentro dela. Não vimos nada muito interessante na cidade, se existem atrativos, não são muito óbvios. Apenas aproveitamos para comer na lanchonete do supermercado que fica na praça central. Lanches bons e baratos.

De Barão de Cocais rumamos a Santa Bárbara, que prometia algumas atrações, como um bonito centro histórico e o Museu Afonso Pena. Visitamos o museu. Vale a parada, até por que é gratuito. E o centro histórico é também bonito.

Santa Bárbara

Santa Bárbara

Santa Bárbara

Santa Bárbara

De Santa Bárbara rumamos a Catas Altas. Este trecho prometia ser bem interessante, pois pedalaríamos próximos a Serra do Carraça e passaríamos pelas ruínas do bicame de pedra, um antigo aqueduto da época áurea da mineração. Além disto, a Estrada Real tem alguns trechos de single-track, passando por pastagens de fazendas.

Rumo a Catas Altas, por single tracks em fazendas.

Rumo a Catas Altas, por single tracks em fazendas.

A paisagem é realmente bonita. Chegamos no bicame no fim de tarde, com a luz do sol dourada dando uma aparência ainda mais bonita nas ruínas e na Serra do Carraça ao fundo.

Na obra Memórias Chorographicas, escrita por Álvaro Astolfo de Silveira, publicada em 1921, encontra-se uma interessante referência sobre o bicame:

A respeito dos regos para mineração, certamente um dos mais notáveis, não só pelo seu grande desenvolvimento difficuldade de sua construção, é o que recolhia aguas da serra do Caraça e as conduzia por um percurso de 8 léguas até Brumado, ponto em que era utilizada para a extração do ouro. Recolhia este rego águas de córregos da serra do Caraça, córregos da Cachoeira, do Tanque Preto e do Quebra-Ossos. Em seu percurso há diversas obras d’arte importantes,um túnel de cento e tantos metros de extensão; um aqueducto de 160 metros de comprimento por 1’”5, de largura, feito de pedras seccas e de uma solidez admirável;… Esse aqueducto, chamado de “andaime” …custou uma arroba de ouro”.

Serra do Caraça ao fundo

Serra do Caraça ao fundo

Bicame de pedra, Catas Altas

Bicame de pedra, Catas Altas

Do bicame tivemos que acelerar o passo para chegarmos em Catas Altas ainda com luz do sol. Deu no limite.

Catas Altas é uma cidade pequena e bem bonita, talvez umas das mais bonitas do Caminho dos Diamantes. Quero voltar lá com a família (de carro).

Não confundir Catas Altas com Catas Altas da Noruega. Esta última, apesar do nome escandinavo, também fica em Minas Gerais. Mais sobre este povoado viking das geraes aqui.

Ficamos na Pousada Laetitia, um lugar bem bonito e cuidado com um bom preço (R$ 55 por pessoa), que fica na rua que leva a praça da matriz.

Banho tomado, fomos comer e dar uma volta na cidade. Na volta, a Letícia (dona da pousada) nos avisou que teria um evento no centro cultural da cidade e que seríamos bem vindos.

O Brian estava meio cansado e não quis ir, foi dormir. Eu e o Ricardo fomos lá conferir. Foi uma experiência bacana, estava o prefeito (e a simpática primeira dama), moradores da cidade e éramos os únicos turistas. A programação incluía teatro, seresta e barracas com doces e bebidas da região. Para completar a nossa sorte, ganhamos uma garrafa de vinho de jabuticaba produzido pela Zenilda Alves. Recebemos o vinho da própria Zenilda, que sentou na nossa mesa e nos explicou o processo de fabricação do vinho. Catas Altas tem em torno de 20 produtores desta bebida e o gosto é realmente bom, além de ter várias propriedades nutricionais (bioflavonóides e outras coisas que não me lembro mais).

Vinho de jabuticaba da Zenilda Alves, Catas Altas.

Vinho de jabuticaba da Zenilda Alves, Catas Altas.

Depois disto tudo, era hora de dormir, pois a sexta-feira era o último dia da viagem.

Dica de hospedagem em Catas Altas:

Resumo do dia:

  • Distância: 48.3 km
  • Média: 11 km/h
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