Dia 4, Itambé do Mato Dentro a Cocais: Caminho dos Diamantes

Quarta-feira, 04/07/2013

O quarto dia de Caminho dos Diamantes passaria por vários povoados e terminaria em Cocais, com 70 km percorridos e mais de 1.600 m de ascensão acumulada.

Saindo de Itambé, pega-se a direita por uma estrada de terra sendo preparada para o asfaltamento (mais uma!). O caminho segue por paisagens rurais tranquilas até Senhora do Carmo. Paramos lá para o Brian despachar pelo Correio algumas coisas que ele não estava usando e que dizia ser peso extra (ele é meio weight weenie 😉 ). Perdemos um tempão lá até achar uma caixa e despachar as coisas.

De Senhora do Carmo, tocamos para Ipoema, onde almoçaríamos e visitaríamos o Museu do Tropeiro. Este museu vale a visita. Apesar de pequeno e simples, é bem mantido e tem uma visita guiada muito simpática.

Indo conhecer o Museu do Tropeiro em Ipoema.

Indo conhecer o Museu do Tropeiro em Ipoema.

O próximo destino seria Bom Jesus do Amparo (BJA), com 13 km praticamente planos. Chegando em BJA paramos para tomar um café e encontramos, quer dizer, fomos encontrados pelo Fernando Gonçalves. O Fernando faz um trabalho legal de mapear quem passa pela Estrada Real e tem vários informantes que avisam quando um cicloturista está a caminho. Ele é praticamente um radar, coletando informações e alertando as autoridades e moradores locais sobre como melhorar o turismo na região. É uma excelente fonte de informações sobre o Caminho dos Diamantes. Se precisar contatá-lo, o email é ferghuma@yahoo.com.br e a conta no Facebook é fernandoo.goncalves.

Fernando Gonçalves nos recepciona em Bom Jesus do Amparo.

Fernando Gonçalves nos recepciona em Bom Jesus do Amparo.

Depois de BJA iríamos para o trecho final, de 24 km até Cocais. Cruzamos a rodovia BR duas vezes e entramos num reflorestamento de eucaliptos. Logo no começo o Ricardo teve o pneu traseiro furado. Foi o primeiro e único furo da viagem.

Reflorestamento da Bruxa de Blair.

Reflorestamento da Bruxa de Blair.

Já estava ficando tarde (o por do sol acontece cedo em julho, lá pelas 17:40) e estávamos entrando numa floresta, onde é mais escuro e mais fácil de se perder. Fomos navegando pelos marcos da Estrada Real e pela planilha do guia do Olinto. Só que os marcos não apareceram mais e a planilha não batia com os lugares que passávamos. Voltamos até o último marco da ER, mas ele parecia estar perdido no meio do nada. Não tinha sequência de marcos e a planilha não fazia sentido.

Já estava escuro e colocamos as lanternas (hei, não se esqueça de levar a sua!). Dava para ver rodovias dos dois lados, ao longe. Uma rodovia BR a esquerda e uma MG a direita. Supostamente deveríamos ir até a MG, pelo que aparecia em nosso mapa.

Achamos uma casa de moradores de um sítio e pegamos informações sobre como chegar em Cocais. Era o tipo de informação que você consegue nestes lugares, do tipo: “vai passar um mata-burro, depois tem uma porteira, siga no caminho principal, etc, etc.”. Informações soltas e inexatas.

Momentos de tensão. Perdidos no meio da noite.

Momentos de tensão. Perdidos no meio da noite.

Cada um estava bem preocupado com a situação mas tentava manter a calma com os demais. Depois, quando chegamos em Cocais,  descobrimos que todos estavam pensando consigo mesmo sobre como seria dormir no relento.

Seguimos as orientações dos moradores, cruzamos fazendas, rebanho de vacas e fomos sair numa rodovia, a MG-436, próximos de uma ponte. Só que não tínhamos certeza de que lado deveríamos ir. O Brian achava que era para a direita. Eu e o Ricardo pensávamos que era para a esquerda. Acabamos indo para esquerda por maioria, mas sem estarmos seguro da escolha.

Andar numa rodovia a noite é muito tenso e perigoso. Por sorte esta MG-436 é nova (ou reformada) e tinha acostamento pavimentado. Colocamos as luzes de sinalização traseira e seguimos em pelotão. Uns 10 km depois chegamos num posto de gasolina. Para a nossa tristeza havíamos pegado o sentido errado. Deveríamos ter ido para a direita.

A moral que já estava baixa, ficou pior ainda: cansados, desanimados e sem coragem de enfrentar mais rodovia com caminhões passando ao lado. Um caminhoneiro que ouviu a nossa história disse que passaria na entrada de Cocais e que poderia nos dar carona. Não pensamos duas vezes. Aceitamos no ato.

Botamos as bikes na carreta do caminhão carregado de minério de ferro e fomos na boleia. Começamos a ficar animados de novo. O caminhoneiro botou “Faroeste Caboclo” no rádio e fomos pela estrada até o trevo de Cocais. Desembarcamos as bikes, fizemos questão de dar R$ 20 para o camarada tomar umas cervejas por nossa conta e fomos procurar uma pousada.

A primeira pousada que encontramos estava lotada, mas tinha lugar na Pousada das Cores, onde ficamos. Depois de um bom banho, vamos jantar. O jantar foi a boa notícia da noite. O Éverton, dono da pousada, é um chef que já apareceu em revistas e programas de TV. O jantar foi gostoso e variado, mais do que merecido para repor a energia e o ânimo.

Dica de hospedagem em Cocais:

Resumo do dia:

  • Distância: 87 km
  • Média: 12.9 km/h
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Um pensamento sobre “Dia 4, Itambé do Mato Dentro a Cocais: Caminho dos Diamantes

  1. O Fernando, de Bom Jesus, me mandou este blog. Fiquei satisfeito de terem sobrevivido bem. Viajar pela Estrada Real é um bom aprendizado. Vão ter histórias para contar. Espero que tenham tirado proveito desta viagem. Um abraço a todos. Everton de Paula – da Pousada das Cores, em Vila de Cocais.

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