Dia 2, Serro a Conceição do Mato Dentro: Caminho dos Diamantes

Segunda-feira: 01/07/2013

Acordamos cedo, 6:30, depois de uma boa noite de sono para recuperar as forças. O dia seria longo, 83 km de pedal e quase 1.800 m de ascensão, pelas informações que tínhamos de outros viajantes. Ainda por cima, queríamos sair cedo para para chegar em Conceição do Mato Dentro (ou CMD, para os íntimos) antes das 14:00 e tentar arrumar um transporte até a Cachoeira do Tabuleiro.

Igreja matriz de Serro

Igreja matriz de Serro

A primeira decisão importante do dia foi escolher qual roteiro seguiríamos. Existiam duas opções bem diferentes: seguir os marcos da ER, por Alvorada de Minas, ou seguir o roteiro sugerido pelo guia do Antonio Olinto, que seguiria por Mato Grosso (nome oficial, Dep. Augusto Clementino). Segundo o Olinto, este é o roteiro mais próximo ao percurso histórico do Caminho dos Diamantes, pois Alvorada de Minas não é citada nos documentos antigos e foi posta no roteiro provavelmente por razões políticas.

As duas opções de caminho se encontrariam em Itapanhoacanga (ver mapa abaixo).

Além destas duas opções, o Marconi Leão, de Diamantina, tinha nos dado a dica de seguir por Alvorada, e de lá pegar a segunda saída para CMD, um pouco mais adiante e por um caminho menos conhecido. Este traçado passaria por lugares mais remotos e com menos movimento, o que parecia ser bom.

Além desta escolha, teríamos a opção de, na bifurcação para Itapanhoacanga, seguir a esquerda pela MG-010 (em terra, sendo preparada para o asfaltamento) até 10 km antes de CMD, o caminho mais direto. O caminho à direita, por Itapanhoacanga, faz uma volta maior, passando por Tapera e Córregos. Pelo mapa abaixo dá para entender facilmente.

Pela vontade de chegar cedo em CMD e visitar a Cachoeira do Tabuleiro, acabamos seguindo pela dica do Marconi, que reduziria bem nossa quilometragem do dia. Rumamos até Alvorada de Minas (asfalto, caminho nada especial), pegamos a segunda saída (fica atrás de uma igrejinha no alto a esquerda), seguimos pela MG-010 (cruzando com dezenas de caminhonetes e caminhões da mineradora Anglo-American) e caindo no trecho de 10 km finais de asfalto até CMD.

Igrejinha em Alvorada de Minas. O caminho que pegamos passa por trás dela.

Igrejinha em Alvorada de Minas. O caminho que pegamos passa por trás dela.

O roteiro que escolhemos tinha algumas paisagens bonitas e, de fato, tinha pouco movimento até chegar na MG-010.

Chegando no cruzamento de Itapanhoacanga.

Chegando no cruzamento de Itapanhoacanga.

No meio do caminho, pedimos água numa casa à beira da estrada, uma senhora idosa nos atendeu e, claro, puxamos conversa. A simpática dona Maria Augusta tinha 92 anos e estava com sua bisneta Isabela (ver foto na galeria abaixo). Ela teve 10 filhos, 16 netos e 22 bisnetos. Fiz questão de registrar o momento com uma foto e depois mandar duas fotos ampliadas para ela.

Dona Maria Agusta, que dos deu água, com seus 92 anos, 10 filhos, 16 netos e 22 bisnetos.

Dona Maria Agusta, que dos deu água, com seus 92 anos, 10 filhos, 16 netos e 22 bisnetos.

Com as informações que tenho hoje, faria uma escolha bem diferente: seguiria o caminho sugerido pelo guia do Antonio Olinto. Ponto. Esta opção passa por mais estradas de terra remotas, evitando o trânsito chato de veículos da Anglo-American. Também pararia para passar a noite em Itapanhoacanga, Córregos ou Tapera, fugindo de CMD.

O fato é que chegamos antes das 14:00 em Conceição do Mato Dentro e descobrimos que os passeios à Cachoeira do Tabuleiro só saem pela manhã, pois tem uma trilha, que toma algumas horas, para ir e voltar da entrada do parque até a cachoeira.

Então, tínhamos uma longa tarde para desfrutar as delícias de CMD. Só que não!

Conceição do Mato Dentro passou por um processo de crescimento absurdo nos últimos anos com a chegada da mineradora Anglo-American. A cidade de 20 mil habitantes recebeu um influxo de 5 mil trabalhadores, quase todos homens. Como consequência, os preços subiriam, o turismo tem pouquíssima importância na economia da cidade e ficou um clima “corrida do ouro”. Hotéis e pousadas fecham contratos mensais com a mineradora e com as prestadoras de serviço. Sobra pouca coisa para quem está viajando. E quando sobra é caro e/ou ruim.

Além disto, a cidade é feia, muito movimentada e com aquela cara de “precisamos ganhar dinheiro agora!”, bem diferente das cidades que passamos por Minas. Dois dos principais atrativos históricos estão caindo aos pedaços, a igreja matriz e a antiga prefeitura.

Foi difícil achar um lugar para passar a noite, várias pousadas estavam lotadas. Visitamos a Pousada do Carioca, que tinha vaga, mas não gostamos da vibe do lugar. Acabamos ficando na Pousada da Mãe Luíza, próxima à do Carioca.

A Pousada Mãe Luíza nos custou R$ 25 por pessoa, de longe a mais barata da viagem. Mas não valeu muito mais do que isto. O dono, Sr. Joaquim, é um senhor idoso que toca o negócio como dá. Não somos de reclamar das coisas, já acostumados a mochilar por cantos bem simples do mundo, mas esta pousada ficou abaixo da crítica, com louça suja no café da manhã e o dono escarrando ao nosso lado enquanto comíamos. Se você quiser ficar lá, não diga que não avisei. 🙂

Resumo do dia:

  • Distância: 70.4 km
  • Tempo de pedal: 4 h 49 min
  • Média: 14.6 km/h
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