Dia 1, Diamantina a Serro: Caminho dos Diamantes

Domingo, 30/06/2013

Como era previsto, acordamos ressacados pelas várias cervejas tomadas na noite de sábado assistindo a vesperata. Mesmo assim estávamos animados para cair na estrada. Arrumamos as coisas e fomos tomar o café da manhã. O café do Diamantina Hostel é bom, com variedade e qualidade (para um albergue, claro).

Hora da partida, tiramos a tradicional foto, com as caras meio inchadas e pé na estrada, ou melhor, rodas na Estrada Real. O objetivo do dia era pedalar quase 64 km até Serro, com 1.400 m de ascensão acumulada.

Saída do Diamantina Hostel

Saída do Diamantina Hostel

Enquanto passávamos perto da rodoviária para achar o início da ER, paramos na feira livre para comprar doces caseiros, queijo e outros alimentos para o dia. Apesar de pequena, a feira tinha alguns produtos que não conhecemos aqui em São Paulo, como broto de samambaia e outras coisas que nem deu para reconhecer. Pena que não deu para investigar e provar mais. Uma das coisas bacanas de viajar por estes lugares é experimentar coisas que só tem por lá, não necessariamente o “típico” para pegar turista, mas o autêntico que os moradores consomem.

Parada na feira livre de Diamantina para comprar comida.

Parada na feira livre de Diamantina para comprar comida.

Tem que pedalar uns dois quilômetros para sair da cidade e cair na terra. Saindo do centro histórico passamos pela cidade real, com suas casas simples, beirando a pobreza.

Corrente quebrada com 25 km.

Corrente quebrada com apenas 25 km. Shit happens!

Depois de 25 km de pedal a minha corrente estourou. Tentei consertar com a chave de corrente mas ela continuou escapando. O jeito foi retirar dois elos e encurtar a corrente. É bem ruim um problema destes acontecer tão cedo na viagem. Após isto fiquei apreensivo com uma possível nova quebra, segurando mais a pedalada.

Descendo para o Ribeirão do Inferno.

Descendo para o Ribeirão do Inferno.

O Caminho dos Diamantes é muito bonito neste trecho, a altitude é elevada, acima de 1.000 m, com grandes vales nos rios, como o Ribeirão do Inferno e o famoso Rio Jequitinhonha. Parece que vamos encontrar os personagens do Guimarães Rosa nos campos de pedra praticamente desertos, com o Riobaldo e Diadorim morando em lugares afastados, perdidos no tempo.

Casarão abandonado.

Casarão abandonado.

Perto de Vau encontramos o Marconi Leão, autor de um guia simples sobre a ER. Ele e alguns amigos estavam voltando de Ouro Preto, com as bikes na carroceria da caminhonete. Ele deu a dica de pegar a segunda saída de Alvorada de Minas. Agora tínhamos 3 opções de caminhos entre Serro e Conceição do Mato Dentro.

Depois de passar a calha do Rio Jequitinhonha tem uma boa subida até São Gonçalo do Rio das Pedras, onde comemos um lanche na padaria do vilarejo. O lugar é bem bem bacana, meio isolado e com um clima bicho-grilo, com muitas cachoeiras e trilhas. Deu vontade de voltar lá com mais tempo.

Ricardo comemorando a subida do Rio Jequitinhonha.

Ricardo comemorando a subida do Rio Jequitinhonha.

Pegamos a estrada depois do lanche e já meio tarde, estávamos com pressa, pois achávamos que a final da Copa das Confederações fosse começar as 17h, e apertamos o passo.

A estrada entre São Gonçalo e Milho Verde está sendo preparada para o asfaltamento. Entendo as facilidades para quem mora por lá, mas em termos de viagem tira muito do clima. De Milho Verde até Serro é tudo recém asfaltado. A paisagem é bonita, mas o asfalto tira 80% do encanto. É uma pena.

Trecho recém asfaltado entre Milho Verde e Serro.

Trecho recém asfaltado entre Milho Verde e Serro.

Chegando em Serro tem uma descida absurda, onde passamos de 70 km/h. Em compensação, para chegar em Serro tem uma subida que custou para nós, já cansados e ainda não totalmente recuperados da ressaca. A paisagem chegando em Serro já começa a mudar, deixando de ser campos rupestres e passando a ser uma floresta mais fechada e exuberante.

Em Serro ficamos na Pousada Mariana (R$ 50 por pessoa, boa opção), no centro. Descobrimos que o jogo Brasil x Espanha só começaria às 19h. Deu tempo para tomar um banho e lavar as roupas do dia, além de tomar uma bela dose de BCAA e proteína whey para recuperar a musculatura.

Devoramos uma pizza na Pizzaria Veneza assistindo a vitória do Brasil e vendo a rivalidade entre os mineiros do Atlético-MG e Cruzeiro (que comemoraram o gol do Fred, enquanto os atleticanos ficaram calados).

Dica de hospedagem:

Resumo do dia:

  • Distância: 67.1 km
  • Média de 12 km/h
  • Tempo pedalado: 5 h e 33 min
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