Meu primeiro Big Biker, Santo Antonio do Pinhal, 2009

O primeiro Big Biker a gente nunca esquece. Santo Antonio do Pinhal, 2009.

Chegamos (eu e família) no sábado a tarde em Santo Antonio do Pinhal. É uma cidadezinha (umas 10.000 almas) no alto da serra, cheia de botecos com tiozinhos tomando pinga e algumas pousadas. A cidade parecia tomada por bikers. Todas as pousadas estavam lotadas e era engraçado ver a quantidade de bikes nas sacadas dos quartos. Fomos num restaurante e em todas as mesas o papo era sempre o mesmo: bicicleta.

Apoio da família na largada

Apoio da família na largada

O domingo amanheceu com pouco frio, o que contrariou a previsão de geada e 5o C. O tempo estava seco, meio frio e céu azul, perfeito para pedalar. Enquanto isso, não parava de chegar carros de todos os lados com bikes.

Largada da Pro

Largada da Pro

As 8:30 saiu o pessoal da Pro, com umas 300 pessoas. As 9:30 saiu a Sport, a minha, com umas 700 pessoas. Como sempre, saí no fundão. Como o percurso nos primeiros 4 km é uma rodovia vicinal, vai uma pacer moto até chegar no ponto de estrada de terra. Era um mar compacto de bikes. Nas decidas,  subia um cheiro forte de pastilha de freio queimada. Nunca vi isto.

As motos liberam as bikes e de cara já tem uma puta subida duns 800m. Vc tenta pedalar mas tem 100 bikers na sua frente que estão descendo da bike. Não resta opção senão descer e empurrar. Uns 20 minutos perdidos.

Acabada a subida no empurra-bike, tá todo mundo ansioso para começar para valer. E tem um descidão logo de saída. A galera sai socando a bota. Vi muita caramanhola caída. O chato é que uns 3 caras se arrebentaram feio. Um ralou toda a cara. Coisa muito feia.

O visual é demais. Vales, subidas de montanhas, muito verde (araucárias), riachos e em boa parte da prova a Pedra do Baú está na sua frente ou do seu lado.

Depois de algum sobe e desce começa a subida de uns 10 km. Não tem refresco, é só subida e mais subida. As montanhas que antes estavam no alto começam a ficar na mesma altura. Alguns já começam a empurrar a bike. O meu lema é o do Van Damme modificado, “empurrar nunca, desistir jamais”. Vou só em primeira e segunda marchas. Lá pelo km 29 a subida acaba. Pensei, “oba, hora de pisar”. Aí vem mais subida. Não via a hora de chegar no zigzag.

O legendário zigzag é descida da montanha que acabei de subir, só que mais íngreme. Na verdade é uma ribanceira de uns 5 km. No começo até que foi tranquilo, uma estradinha descendo forte no meio da floresta. Até achei que seria fácil. Prematura conclusão. Passa uma porteirinha e o negócio fica pauleira no limite. O que era uma estradinha vira uma vala contínua, lisa igual a um sabão, cheio de raízes, pedras, muita curva e pirambeira. Isto no meio de uma mata. O negócio é tenso.

Eu descendo o zigzag

Eu descendo o zigzag

Tive que reduzir o meu lema para “desistir jamais” somente. Chega uma hora que todo mundo desce da bike para passar nuns trechos suicidas. Eu desci muitas vezes e empurrei. O duro é que todo mundo escorrega e cai até empurrando a bike. Nunca minhas mãos doeram tanto de frear .Desejei ter um freio a disco hidráulico. No meio disto tudo, ainda tem uns malucos ultrapassando. Eu já não estava achando mais graça. As pernas, apesar de ser descida, ficam contraídas o tempo todo. Pela primeira vez senti princípios de câimbra pedalando.

Como não há mal que sempre dure, o zigzag acaba e a estrada volta. Hora de socar a bota. Corpo já cansado mas dá para ter uma velocidade legal. Só não lembrava que teria mais duas subidinhas de pagar pecados. Fui na coroinha, pensando no meu lema e no FDP do Van Damme.

Odômetro marca 45km. Aparece uma placa, 1km para a chegada. Yeah! Meus problemas acabaram. Comemoração precoce. Um guia de prova faz sinal para sair da estrada e pegar um single-track. Seria um single-track legal, se fosse no km 10. Entro no meio da mata e desço uma ribanceira num terreno sabão. O corpo já não responde e você comete uns erros bobos. Resultado, dois escorregões. Mais um pouco de empurra-bike e saio do single.

Meus campeões

Meus campeões

Aí foi só correr para a medalha. Tempo de prova: 3h56m. Para terem uma ideia, o primeiro da Sport acabou em 2h26m e o último em 6h22m.

Resumo da ópera: para mim, foi no limite. Deveria se chamar Huge Biker. Big é pouco. Mas em termos de MTB, o negócio é sensacional. A organização funciona como um relógio, a atmosfera é muito legal e o percurso é MTB de primeira. 

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